O Estado, que já era o principal entrave ao nosso desenvolvimento, prepara-se para o travar ainda mais. Não que seja anarca e não concorde com a existência dum Estado e que os impostos são o preço a pagar pela civilização. Tudo isso é valido, mas parece-me que andamos a pagar essa civilização um pouco cara. Preferia ter um Estado pequenito mas forte e pessoa de bem. Um Estado que fosse justo e promovesse a justiça. Promovesse e protegesse a iniciativa privada. Garantisse o bom funcionamento dos mercados. O resto deixaria aos privados que operariam nesse ideal mercado livre, transparente e justo; onde as partes contratariam em liberdade e com pleno acesso a toda a informação relevante. Mercados que seriam contestáveis e onde apenas os monopólios naturais existiriam.
No médio-longo prazo estaríamos todos melhor num Estado de direito e liberal; os recursos seriam afectos de forma mais eficiente e as gerações futuras não andariam a sustentar os grupos de interesse do presente. A propósito das manifestações que por estes dias paralizam França, fico sempre surpreendido com o altruísmo dos miúdos que tão brutal e veementemente se opõe a uma lei que diminuiria as suas prestações sociais futuras. Porque se a classe de impostos a que se deu o nome de taxa de desconto para a segurança social em França já é a mais elevada do mundo quando a idade de forma é de 60 anos, a esperança de vida anda nos 80 e muito e a pirâmide geracional ainda não está totalmente invertida... imaginem as taxas que aqueles tipos irão pagar quando os seus concidadãos mais velhos que agora se reformam aos 60 anos tiverem 85. Eu não creio que quem lança pedras e garrafas com tanta força e incendeia carros e edifícios com tanto empenho seja assim tão altruísta, prefiro acreditar numa de outras dias hipóteses: ou são estúpidos ou não querem trabalhar.