domingo, 24 de outubro de 2010

Ainda Portugal

É banal dizer que as coisas em Portugal vão mal, e que as perspectivas são más. Vão tão mal que até Hugo Chaves se apercebe disso... e aproveita. A última década para Portugal foi perdida, e provavelmente para a sua Venezuela também. Estamos hoje mais pobres do que há 10 anos, e não precisamos de lê-lo porque sentimo-lo no dia a dia. Enfim, tudo indica que apenas as exportações nos podem salvar da desgraça. A para isso o Chaves até contribui, compra barcos e magalhães que ninguém quer e paga com petroleo. Ninguém conhece muito bem os termos do negócio mas também ninguém se importa.
O Estado, que já era o principal entrave ao nosso desenvolvimento, prepara-se para o travar ainda mais. Não que seja anarca e não concorde com a existência dum Estado e que os impostos são o preço a pagar pela civilização. Tudo isso é valido, mas parece-me que andamos a pagar essa civilização um pouco cara. Preferia ter um Estado pequenito mas forte e pessoa de bem. Um Estado que fosse justo e promovesse a justiça. Promovesse e protegesse a iniciativa privada. Garantisse o bom funcionamento dos mercados. O resto deixaria aos privados que operariam nesse ideal mercado livre, transparente e justo; onde as partes contratariam em liberdade e com pleno acesso a toda a informação relevante. Mercados que seriam contestáveis e onde apenas os monopólios naturais existiriam.
No médio-longo prazo estaríamos todos melhor num Estado de direito e liberal; os recursos seriam afectos de forma mais eficiente e as gerações futuras não andariam a sustentar os grupos de interesse do presente. A propósito das manifestações que por estes dias paralizam França, fico sempre surpreendido com o altruísmo dos miúdos que tão brutal e veementemente se opõe a uma lei que diminuiria as suas prestações sociais futuras. Porque se a classe de impostos a que se deu o nome de taxa de desconto para a segurança social em França já é a mais elevada do mundo quando a idade de forma é de 60 anos, a esperança de vida anda nos 80 e muito e a pirâmide geracional ainda não está totalmente invertida... imaginem as taxas que aqueles tipos irão pagar quando os seus concidadãos mais velhos que agora se reformam aos 60 anos tiverem 85. Eu não creio que quem lança pedras e garrafas com tanta força e incendeia carros e edifícios com tanto empenho seja assim tão altruísta, prefiro acreditar numa de outras dias hipóteses: ou são estúpidos ou não querem trabalhar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Portugal

porque sou Português e vivo em Portugal não consigo deixar de estar sensibilizado e atento aos desenrolar dos acontecimentos pelas nossas bandas. No entanto também me sinto cidadão do mundo, conheço outras realidades e consigo ter uma visão mais holistica e universal do que a maioria das pessoas terá. Assim, por um lado temendo pelo meu futuro e em especial pelo dos meus filhos em Portugal dou muita importância ao que por cá se passa e tem passado. E, por outro, reconheço que pouco disto importa ou tem alguma relevância quando posto numa escala um pouco maior (falando geográfica e cronologicamente). Mas, pese embora haja seguramente muitas questões bem mais importantes para a humanidade do que os estado do nosso Estado, estas trivialidade são para mim muito relevantes.
Sou liberal, económica e socialmente falando, e agnóstico. Creio na superioridade dos mercados para a eficiente alocação de recursos e creio na Democracia (menos do que nos mercados, confesso, talvez seja mais certo dizer que descreio no nepotismo, no despotismo, no niilismo, etc).
Compreendo bem e partilho as preocupações com que muitos nos têm inundado ultimamente.
Penso que tradicionalmente o Estado em Portugal tem a "pata" demasiado grande e pesada. Tende a ser paternalista e existencialista. Não gosto! Preferia/prefiro um Estado mais leve, menos intrometido na vida económica e mais responsável. Um Estado regulador e pessoa de bem. Sei que desses há poucos, se algum houver, por esse mundo fora.
Sei também que a inercia institucional e a natureza dos burocratas não se coadunam com a autonomia e responsabilização (falar de autonomia e responsabilização é redundante, uma não existe sem a outra). Qual não é o burocrata detentor de cargo politico que não gosta das chamadas ideias monetaristas de índole Keynesianas? Especialmente do seu corolário mais comum: gasta o que te apetecer, justificado pela teses macro económicas monetaristas.
O Estado social que nos prometeram é impossível, lamento mas reconheço-o. Ilusoriamente os "descontos" para a segurança social não passam de meros impostos. As gerações futuras foram hipotecadas em prol do favorecimento de grupos de interesses actuais.
Enfim, as coisas estão muito desequilibradas, e como sabemos não há desiquilibros (nem os positivos nem os negativos) que possam durar para sempre. Um dia acabam. Quanto maior o desequilíbrio mais violento o ajuste tende a ser (tal como as tempestades). Continua a temer que Portugal seja um projecto inviável. Mas hoje senti-me inspirado pelas declarações do líder do PSD, com quem pareço partilhas os ideais liberais, senti mesmo. Eu, que não tenho nenhum outro interesse politico que não a boa governação e a sustentabilidade gostava muito que Portugal abraçasse um projecto de cariz liberal e que o Estado exerce-se as suas funções de soberania e deixasse as restantes actividade de criação de riqueza para os privados. Exercesse justiça, oferecesse segurança e garantisse a igualdade; de preferência bem e barato. Quando ouço algum grupo de interesses demandar descriminação positiva para si, sei que esta será paga pelo erário público. Precisamos dum projecto novo de depressa! Enfim.



enframing

I'll make my best efforts to keep this weblog bilingual, writing in English as much as possible.

This first post on this weblog, which I decided to create after a long period hesitating to either do it or not, is the place where I will leave my reflections.

In the days of facebook and twitter having a blog seams outdated, however...

I regard myself as an interested and reflective (often too much) person, therefore I will write about whatever catches my fancy.